1 - REALIDADE E FICÇÃO
Cansados de blogs bem comportados feitos por gente simples, amante da natureza e blá,blá,blá, decidimos parir este blog do non sense.Excluíremos sempre a grosseria e a calúnia, o calão a preceito, o picante serão ingredientes da criatividade. O resto... é um regalo
12/07/2011
SENTIR MELHOR
Estamos errados se pensarmos que a alegria emana somente das relações humanas. Ela existe um pouco em tudo o que nos cerca e também por isso devemo-nos sentir felizes
JOÃO CÉSAR DAS NEVES
Obrigado, sr. ministro!
Há dias um pobre pediu-me esmola. Depois, encorajado pela minha generosidade e esperançoso na minha gravata, perguntou se eu fazia o favor de entregar uma carta ao senhor ministro. Perguntei-lhe qual ministro e ele, depois de pensar um pouco, acabou por dizer que era ao ministro que o andava a ajudar. O texto é este:
"Senhor ministro, queria pedir-lhe uma grande ajuda: veja lá se deixa de me ajudar. Não me conhece, mas tenho 72 anos, fui pobre e trabalhei toda a vida. Vivia até há uns meses num lar com a minha magra reforma. Tudo ia quase bem, até o senhor me querer ajudar.
Há dois anos vierem uns inspectores ao lar. Disseram que eram de uma coisa chamada Azai. Não sei o que seja. O que sei é que destruíram a marmelada oferecida pelos vizinhos e levaram frangos e doces dados como esmola. Até os pastelinhos da senhora Francisca, de que eu gostava tanto, foram deitados fora. Falei com um deles, e ele disse-me que tudo era para nosso bem, porque aqueles produtos, que não estavam devidamente embalados, etiquetados e refrigerados, podiam criar graves problemas sanitários e alimentares. Não percebi nada e perguntei-lhe se achava bem roubar a comida dos pobres. Ele ficou calado e acabou por dizer que seguia ordens. Fiquei então a saber que a culpa era sua e decidi escrever-lhe. Nessa noite todos nós ali passámos fome, felizmente sem problemas sanitários e alimentares graves.
Ah! É verdade. Os tais fiscais exigiram obras caras na cozinha e noutros locais. O senhor director falou em fechar tudo e pôr-nos na rua, mas lá conseguiu uns dinheiritos e tudo voltou ao normal. Como os inspectores não regressaram e os vizinhos continuaram a dar-nos marmelada, frangos e até, de vez em quando, os belos pastéis da tia Francisca, esqueci-me de lhe escrever. Até há seis meses, quando destruíram tudo.
Estes não eram da Azai. Como lhe queria escrever, procurei saber tudo certinho. Disseram-me que vinham do Instituto da Segurança Social. Descobriram que estava tudo mal no lar. O gabinete da direcção tinha menos de 12 m2 e na instalação sanitária do refeitório faltava a bancada com dois lavatórios apoiados sobre poleias e sanita com apoios laterais. Os homens andaram com fitas métricas em todas as janelas e portas e abanaram a cabeça muitas vezes. Havia também um problema qualquer com o sabonete, que devia ser líquido.
Enfureceram-se por existirem quartos com três camas, várias casas de banho sem bidé e na área destinada ao duche de pavimento (ligeiramente inferior a 1,5 m x 1,5 m) não estivesse um sistema que permita tanto o posicionamento como o rebatimento de banco para banho de ajuda (uma coisa que nem sei o que seja). Em resumo, o lar era uma desgraça e tinha de fechar.
Ultimamente pensei pedir aos senhores fiscais para virem à barraca onde vivo desde então, medir as janelas e ver as instalações sanitárias (que não há!). Mas tenho medo que ma fechem, e então é que fico mesmo a dormir na rua.
Mas há esperança. Fui ontem, depois da missa, visitar o lar novo que o senhor prior aqui da freguesia está a inaugurar, e onde talvez tenha lugar. Fiquei espantado com as instalações. Não sei o que é um hotel de luxo, porque nunca vi nenhum, mas é assim que o imagino. Perguntei ao padre por que razão era tudo tão grande e tão caro. Afinal, se fosse um bocadinho mais apertado, podia ajudar mais gente. Ele respondeu que tinha apenas cumprido as exigências da lei (mais uma vez tem a ver consigo, senhor ministro). Aliás o prior confessou que não tinha conseguido fazer mesmo tudo, porque não havia dinheiro, e contava com a distracção ou benevolência dos inspectores para lhe aprovarem o lar. Se não, lá ficamos nós mais uns tempos nas barracas.
Senhor ministro, acredito que tenha excelentes intenções e faça isto por bem. Como não sabe o que é a pobreza, julga que as exigências melhoram as coisas. Mas a única coisa que estas leis e fiscalizações conseguem é criar desigualdades dentro da miséria. Porque não se preocupam com as casas dos pobres, só com as que ajudam os pobres."
IN "DIÁRIO DE NOTÍCIAS"
11/07/11
NR: MAGISTRAL
Comissão de Cidadãos para os
Direitos Humanos
Direitos Humanos
What We Believe
Para visitar CCHR's Declaration of Mental Health Rights click aqui http://3.ly/lz9
CCHR International é uma associação sem fins lucrativos, responsável por produzir mais de 150 leis de protecção individual, contra o abuso de práticas psiquiatras corceivas.
CCHR tem uma longa história de combate contra as prescrições forçadas, e electrochoques em doentes, abuso de prescrição de drogas para crianças e internamento clínico para dissidentes políticos.
CCHR International é uma associação sem fins lucrativos, responsável por produzir mais de 150 leis de protecção individual, contra o abuso de práticas psiquiatras corceivas.
CCHR tem uma longa história de combate contra as prescrições forçadas, e electrochoques em doentes, abuso de prescrição de drogas para crianças e internamento clínico para dissidentes políticos.
ALMORRÓIDA DEPENDENTE
Quase metade dos portugueses
seriam pobres sem o apoio do Estado
por Augusto Freitas de Sousa e Margarida Bon de Sousa
Um quinto da população com maiores recursos ganha 5, 6 vezes mais do que os mais de dois milhões de portugueses em risco de pobreza
Os números do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento de 2011 ainda não se conhecem, mas segundo as análises, previsões e comentários dos especialistas, o risco de pobreza dos portugueses já ultrapassou os 17,9 % registados em 2009. Os indicadores do Instituto Nacional de Estatística (INE) de 2010, relativos a 2009, foram ontem conhecidos e a principal conclusão é que se não fossem os apoios do Estado, as pensões de reforma e de sobrevivência, quase metade dos portugueses (43,4%), seriam pobres.
O facto de uma parte substancial destas pessoas receber pensões de reforma ou de sobrevivência faz com que esta percentagem caia para os 26,4%, menos 17 pontos percentuais. Os restantes apoios concedidos pelo Estado, incluindo abonos de família e rendimento de inserção social, coloca o indicador da pobreza em 17,9 %.
Os dados do INE, que mede regularmente estes indicadores, mostram que sem as pensões e os restantes apoios, em 2009 já 25,3% da população nacional estaria em risco de pobreza ou exclusão social.
De acordo com este inquérito, a taxa de risco de pobreza correspondia à proporção de habitantes com rendimentos anuais por adulto inferiores a 5 207 euros em 2009 (cerca de 434 euros por mês), sensivelmente igual ao salário mínimo nacional em vigor naquele ano.
Este limiar, ou linha de pobreza relativa, corresponde a 60% da mediana da distribuição dos rendimentos monetários líquidos equivalentes.
O risco de pobreza para a população mais idosa subiu naquele ano relativamente ao inquérito de 2009 para 21%, contra os 20,1% de 2008. O mesmo sucedeu para a população desempregada, onde foi registada uma percentagem de risco de 36,4%.
"Três" riscos Apesar do inquérito de 2010 revelar uma melhoria nas assimetrias (melhor distribuição de riqueza), relativamente ao rendimento monetário líquido, manteve-se a tendência já registada em anos anteriores de descida dos mais baixos recursos.
E como em anos anteriores, as taxas de risco de pobreza mais elevadas observaram-se nos agregados constituídos por um adulto que vive sozinho (30,1%),por um adulto que vive sozinho com pelo menos uma criança dependente (37,0%) e por dois adultos com três ou mais crianças (33,2%), enquanto os agregados constituídos por três ou mais adultos sem crianças mantiveram a taxa de risco de pobreza mais reduzidas, 9,1%.
Pensões Segundo o INE, "o contributo das transferências sociais reduziu em 8,5 pontos percentuais a proporção da população em risco de pobreza, significando um aumento deste contributo face ao ano anterior (cerca de 6,5 pontos percentuais).
Isto é, com as pensões pagas em 2008, 24,3 por cento estavam em risco de pobreza e, em 2009, também depois das transferências das pensões, o número aumentou para 26,4%.
Segundo o Instituto, os resultados do inquérito para os indicadores Europa 2020 indicam, em 2008, uma proporção de 25,3% de indivíduos em risco de pobreza ou exclusão social: "indivíduos em risco de pobreza ou vivendo em agregados com intensidade laboral per capita muito reduzida ou em situação de privação material severa".
Em 2010, 22,5% dos indivíduos residentes em Portugal viviam em situação de privação material, com uma diferença de mais um ponto percentual face ao valor de 21,5% registado no inquérito de 2009. O número médio de itens em falta para a população em privação material, ou seja, a intensidade da privação material era de 3,6 em 2010.
IN "i"
12/07/11
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