04/04/2011

3 - LIDAR COM ATREVIDOS



PLANO INCLINADO


NUNCA SE SABE



ELISABETH TAYLOR


CATALINA PESTANA



O poder e o queijo


A velha senhora está deprimida. Normalmente as depressões nela duram 48 horas. Mas já lá vão oito dias.

No passado fim-de-semana a velha senhora deprimiu. Habitualmente as suas depressões não duram mais do que 48 horas. Costumamos dizer-lhe mesmo que ela é uma «força da natureza». Passa pelos acontecimentos duros e agressivos sem deixar que eles dominem a sua forma risonha de estar no mundo. Tem o hábito de arregaçar as mangas para descobrir o lado bom das coisas.

Hoje continua deprimida e já passaram oito dias.

A causa próxima deste estado de alma foi desencadeada por demasiadas horas frente ao televisor.

Era o primeiro sábado de Sol, 19 de Março - dia em que a Lua também seria vista como aparentemente maior por estar mais próxima da Terra, depois de algumas dezenas de anos.

A velha senhora não gozou o Sol nem se levantou do sofá para espreitar a Lua. Mau sinal.

Depois de algumas insistências, foi abrindo o livro das suas reflexões/emoções que produziam aquele resultado.

Naquele sábado todos os seus canais noticiosos preferidos pareciam transmitir a actividade de ratos amestrados - saltitando entre aquilo que os pobres realizadores consideravam poder garantir maiores audiências.

O comício do CDS em Viseu, onde o presidente, perante o cheiro a queijo do poder, produzia milagres. Os amigos desavindos reconciliavam-se em cena. O chefe dizia para o provável parceiro do jogo ainda por disputar:

- Bem feita, não quiseste brincar comigo quando eu te convidei, agora vais ser obrigado a brincar, e vou ser eu a ditar as regras do jogo.

Os realizadores continuavam a tentar o equilíbrio instável. Sem deixarem terminar a frase de quem falava, mudavam o contexto e mudavam os protagonistas.

No Porto, o senhor primeiro-ministro, vestido de secretário geral do PS, usava toda a sua capacidade oratória para convencer os seus de que, embora a carta tivesse a data de 10 de Março, só tinha sido enviada a 11 de Março, à hora a que o senhor ministro das Finanças informava os jornalistas das medidas contidas no PEC 4.

A velha senhora limpou muito bem os óculos porque começava a ver todos os rostos deformados.

Sem transição perceptível, passava-se à Av. da Liberdade, onde a Intersindical, cujos militantes na sua maioria não têm fé, tinham feito um pacto com São Pedro - e procuravam ensinar à Geração à rasca como se organiza uma manifestação a sério.

Eram muitos, sabiam ao que vinham, alinhavam todos à esquerda, e a grande mancha colorida era perfeitamente enquadrada pelo notável serviço de ordem do PCP.

O professor Carvalho da Silva cometeu um erro grave que a velha senhora não entendeu. Fez aprovar uma moção com a convocatória de outra manifestação, para 1 de Abril, tendo por objectivo as reivindicações da juventude precária.

Parecia uma tentativa demasiado óbvia de manter a juventude no redil da CGTP - antes que ela perceba sozinha o que quer e com quem quer fazer o seu caminho. Era como se dissesse: «Vamos lá controlá-los, porque eles eram muitos e deixaram os nossos a gritar sozinhos as palavras de ordem da tribo».

Durante as longas horas em que estas medianas/medíocres lutas pelo poder se digladiavam, os canais noticiavam em rodapé coisas tão insignificantes como a catástrofe atómica, contra a qual os japoneses continuavam a travar uma luta de vida ou de morte; o início da intervenção militar na Líbia, contra a qual o coordenador do Bloco de Esquerda vociferava sozinho; as diatribes do coronel Kadhafi, que já ameaçara enforcar todos os que se lhe opusessem no país e que agora mentia (através do primeiro-ministro) ao secretário-geral das Nações Unidas, dizendo que aceitava o imediato cessar-fogo enquanto reorganizava as tropas para a mortandade final.

A velha senhora, que deve saber donde lhe vem aquela tristeza que não passa ao fim de 48 horas, disse-me: «Deixa. Tenho um amigo padre e outro psiquiatra. Quando eu começar a fazer disparates que provoquem escândalo nesta sociedade, chama aquele que te parecer estar menos deprimido».

Duas gargalhadas e uma bejeca devem ter efeito de antidepressivo.

Eu retorqui: «Acorda, mulher. Pelo menos durante 20 anos não vamos ouvir o Patrick Monteiro de Barros defender o nuclear».

IN "SOL"
28/03/11

D O A Ç Ã O




enviada por CARACOLETA


LIGA PORTUGUESA CONTRA O CANCRO
COMPLETA 70 ANOS


No final do século XIX em plena Revolução Industrial, começa haver nas empresas um grande problema de absentismo, provocado por um conjunto de doenças com grande carga social, uma delas o Cancro. Por todo o mundo ocidental criaram-se então estruturas de luta contra esta doença.

Em Portugal é criado o Instituto Português para o estudo do cancro com legislação criada por António Sérgio que respondeu assim ao apelo do grande homem da medicina professor Francisco Gentil, fundador do Instituto Português Oncologia. Em 1923 começa então o Instituto Português de Oncologia (Lisboa), na ocasião apenas sobre o ponto de vista de Lei escrita no papel porque na realidade o primeiro pavilhão foi só inaugurado em 1927 (Lisboa).

Em 1931 um conjunto de senhoras, entre elas Mécia Mouzinho de Albuquerque Condessa de Murça, criaram a chamada comissão iniciativa particular de luta contra o Cancro. E este grupo de senhoras durante dez anos, fizeram um trabalho notável e fundiram as ideias da prevenção do cancro e produção da saúde, organizaram peditórios, influenciaram imensa gente nesta luta tão grande onde ainda hoje estamos com esta actualidade.


Por proposta do Prof. Doutor Francisco Gentil, a 4 de Abril de 1941, é fundada legalmente (portaria n.º 9772) a Liga Portuguesa Contra o Cancro e que tem fundamentalmente o dois objectivos: a Humanização e a Solidariedade.

Tendo em atenção a vasta acção a ser implementada a nível nacional, nomeadamente em estimular o estudo científico do cancro e difundir os meios técnicos de combater este terrível flagelo social e auxiliar os trabalhos de investigação nos laboratórios do Instituto Português de Oncologia, tornou-se necessário a regulamentação e criação dos Núcleos Regionais, previstos nos seus Estatutos, o que veio a ser concretizado em 1965.

No seu início a Liga procurou suprir as carências do Estado em matéria de financiamento do tratamento do cancro, angariando fundos para custear tudo à que a doença dizia respeito - desde equipamento hospitalar à roupa de cama do hospital. Hoje a situação é diferente.

Com o passar dos anos os recurso humanos e financeiros mobilizados pela Liga foram-se centrando em iniciativas mais focalizadas no apoio ao doente e na investigação da doença e mais orientada para a prevenção do cancro. Desenvolveu-se um plano estruturado e continuado a nível comunitário, descentralizado, de ensino e sensibilização sobre os sinais de alerta e para a prevenção do cancro.

A crescente concentração dos recursos na atenção ao doente, à sua família, por um lado e na detecção precoce da doença, por outro, culminou num das mais importantes iniciativas da Liga: o Programa Nacional de Rastreio de Cancro da Mama, um contributo para salvar vidas, preservar famílias e fortalecer a sociedade. 

Ao longo destes anos, diversos organismos do Estado e da Sociedade Civil têm reconhecido o fundamental papel social da Liga Portuguesa Contra o Cancro. Em 1966 foi conferida à LPCC o título de Membro Honorário da Ordem de Benemerência pelo Senhor Presidente da República.

Foi declarada como Instituição de Utilidade Pública, por despacho de 85/04/17 do Senhor Primeiro-Ministro, publicado no Diário da República n.º 99, II Série, de 30 de Abril.

Mais recentemente, em 2006, foi-lhe conferido o título de Membro Honorário da Ordem Militar de Cristo, pelo Grão-Mestre das Ordens Honoríficas Portuguesas, o Senhor Presidente da República Portuguesa.

IN "SITE DA LIGA"