13/09/2009

VASCO DA GAMA

Governador da Índia


Vasco da Gama (Sines, 1469 — Cochim, Índia, 24 de Dezembro de 1524) foi um navegador e explorador português da Época dos Descobrimentos, comandante dos primeiros navios a navegar directamente da Europa para a Índia.

Expedição


Filho do alcaide-mor de Sines, Estêvão da Gama, o rei D. Manuel I (1495-1521) confiou-lhe o comando da frota que, em 8 de Julho de 1497, zarpou do rio Tejo em demanda da Índia, com cento e cinquenta homens entre marinheiros, soldados e religiosos, distribuídos por quatro pequenas embarcações: * São Gabriel, construída especialmente para esta viagem, comandada pelo próprio Vasco da Gama; * São Rafael, também construída especialmente para esta viagem, comandada por Paulo da Gama, irmão do capitão-mor; * Bérrio, oferecida por D. Manuel de Bérrio, seu proprietário, sob o comando de Nicolau Coelho; e * São Miguel, uma carraca para transporte de mantimentos, sob o comando de Gonçalo Nunes, que foi queimada perto da baía de São Brás, na costa oriental africana. Em 2 de Março de 1498, completando o contorno da costa africana, a armada aportou a Moçambique, depois de haver sofrido medonhos temporais e de Vasco da Gama ter sufocado, com mão de ferro, uma revolta da marinhagem. O piloto que o sultão da ilha de Moçambique lhe ofereceu para o conduzir à Índia, foi secretamente incumbido de entregar os navios portugueses aos mouros em Mombaça. Um acaso fez descobrir a cilada e Vasco da Gama pôde continuar até Melinde, cujo rei lhe forneceu um piloto árabe, conhecedor do Oceano Índico. Chegada de Vasco da Gama a Calecute Em 20 de Maio de 1498, chegou a Calecute. Estava estabelecida a rota no Oceano Índico e descoberto o caminho marítimo para a Índia. Regresso a Portugal

Vasco da Gama regressou a Lisboa no verão de 1499, um mês depois de seus companheiros, pois teve de sepultar o irmão mais velho (Paulo da Gama) que adoecera e acabara por falecer na ilha Terceira, no arquipélago dos Açores. D. Manuel I recompensou este glorioso feito, nomeando-o almirante-mor das Índias e dando-lhe uma renda de trezentos mil réis anuais que passaria para os filhos que tivesse. Recebeu, conjuntamente com os irmãos, o título de Dom e duas vilas, em Sines e Vila Nova de Milfontes. Voltaria mais duas vezes à Índia - em 1502 e em 1524 -, de que foi governador e segundo vice-rei para lutar contra os abusos existentes que punham em causa a presença portuguesa na região. Vasco da Gama começou a actuar rigidamente e conseguiu impor a ordem, mas veio a falecer em Dezembro desse mesmo ano em Cochim, sendo os seus restos mortais trazidos para Portugal, mais concretamente para a Igreja de um convento carmelita, conhecido actualmente como Quinta do Carmo (hoje propriedade privada). Túmulo do navegador no Mosteiro dos Jerónimos. A presença de seus restos mortais na vila alentejana da Vidigueira prende-se ao facto de o soberano lhe ter atribuído o título de conde da Vidigueira de juro e herdade (ou seja a si e aos seus descendentes) em 1519. Aqui estiveram até 1880, data em que ocorreu a trasladação para o Mosteiro dos Jerónimos ficando ao lado do túmulo de Luís Vaz de Camões. Há quem defenda, porém que, os ossos de Vasco da Gama ainda se encontram naquela vila alentejana. Como testemunho da trasladação das ossadas, em frente à estátua do navegador em Vidigueira, existe a antiga Escola Primária Vasco da Gama (cuja construção serviu de moeda de troca para obter permissão para efectuar a trasladação à época), onde se encontra instalado o Museu Municipal de Vidigueira. Descendência

Da sua esposa, D. Catarina de Ataíde, teve sete filhos: Francisco, Estêvão (governador da Índia), Paulo, Cristóvão, Pedro, Isabel de Ataíde e Álvaro da Gama. Alguns acompanharam-no e vieram a desempenhar importantes cargos no Oriente.
wikipédia

PEDRO ÁLVARES CABRAL

Pedro Álvares Cabral (Belmonte, 1467 ou 1468 — Santarém, 1520 ou 1526) foi um fidalgo e navegador português, comandante da segunda viagem marítima da Europa à Índia, viagem em que se descobriu o Brasil, a 22 de Abril de 1500.


Juventude, títulos e estudos

Acredita-se que nasceu na Beira Baixa (Portugal), em 1467 ou 1468. Foi o terceiro filho de Fernão Cabral, governador da Beira e alcaide-mor de Belmonte, e de Isabel de Gouveia de Queirós. O seu nome original seria Pedro Álvares Gouveia, pois geralmente apenas o primogênito herdava o sobrenome paterno. Posteriormente, com a morte do irmão mais velho, teria passado a usar o nome Pedro Álvares Cabral, uma vez que, a 15 de fevereiro de 1500 — quando recebeu de D. Manuel I (1495-1521) a carta de nomeação para capitão-mor da armada que partiria para a Índia —, já usava o sobrenome paterno. Neto de Fernão Álvares Cabral, que exercera as funções de guarda-mor do Infante D. Henrique, os seus biógrafos remontam o seu título de nobreza, a um terceiro avô, Álvaro Gil Cabral, alcaide-mor do Castelo da Guarda sob os reis D. Fernando (1367-1383) e D. João I (1385-1433), da dinastia de Avis, que teria recebido por mercê as alcaidarias dos castelos da Guarda e Belmonte, com transmissão à descendência. Esses domínios, lindeiros à Espanha, eram terras de pastorícia, origem dos símbolos das cabras passantes do escudo de armas da família Cabral. Aos onze anos de idade, Pedro mudou-se para o Seixal (onde ainda hoje existe a Quinta do Cabral), vindo a estudar em Lisboa Literatura, História e Ciência (como, por exemplo, Cosmografia), além de artes militares. Na Corte de D. João II (1481-1495), onde entrou como moço fidalgo, aperfeiçoou-se em cosmografia e marinharia. Com a subida ao trono de D. Manuel I (1495-1521) foi agraciado com o foro de fidalgo do Conselho do Rei, o hábito de cavaleiro da Ordem de Cristo e uma tença, pensão em dinheiro anual.
A Armada de 1500

Em 1499, foi nomeado pelo soberano como capitão-mor da armada que se dirigiria à Índia após o retorno de Vasco da Gama. Teria então cerca de trinta e três anos de idade. A missão de Cabral era a de estabelecer relações diplomáticas e comerciais com o Samorim, reerguendo a imagem de Portugal após a apresentação do Gama, e instalando um entreposto comercial ou feitoria, retornando com o máximo de mercadorias. A sua foi a mais bem equipada armada do século XV, integrada por dez naus e três caravelas, transportando de 1.200 a 1.500 homens, entre funcionários, soldados e religiosos. Era integrada por navegadores experientes, como Bartolomeu Dias e Nicolau Coelho, tendo partido de Lisboa a 9 de março de 1500, após missa solene na ermida do Restelo, à qual compareceu o Rei e toda a Corte.
O descobrimento do Brasil

A 22 de abril, após quarenta e três dias de viagem, tendo-se afastado da costa africana, avistou o Monte Pascoal no litoral sul da Bahia. No dia seguinte, houve o contato inicial com os indígenas. A 24 de abril, seguiu ao longo do litoral para o norte em busca de abrigo, fundeando na atual baía de Santa Cruz Cabrália, nos arredores de Porto Seguro, onde permaneceu até 2 de maio. Cabral tomou posse, em nome da Coroa portuguesa, da nova terra, a qual denominou de "Ilha de Vera Cruz", e enviou uma das embarcações menores com a notícia, inclusive a Carta de Pero Vaz de Caminha, de volta ao reino. Retomou então a rota de Vasco da Gama rumo às Índias. Ao cruzar o cabo da Boa Esperança, quatro de seus navios se perderam, entre os quais, ironicamente, o de Bartolomeu Dias, navegador que o descobrira em 1488. Existe uma discussão entre os historiadores a respeito da intencionalidade ou não da chegada de Cabral ao território brasileiro, embora não existam evidências concretas a sustentar qualquer das hipóteses. Certo é, no entanto, que por esta data já se tinha, na Europa, o conhecimento da existência de terras a leste da linha do Tratado de Tordesilhas.
A chegada à Índia

A Armada chegou a Calecute a 13 de setembro, após escalas no litoral leste africano. Cabral assinou o primeiro acordo comercial entre Portugal e um potentado na Índia. A feitoria portuguesa foi instalada mas teve efêmera duração: atacada pelos Muçulmanos em 16 de dezembro, nela pereceram cerca de trinta portugueses, entre os quais o seu escrivão, Pero Vaz de Caminha. Após bombardear Calecute e apresar embarcações árabes, Cabral seguiu para Cochim e Cananor, onde carregou as naus com especiarias e produtos locais e retornou à Europa.
O retorno a Portugal

Cabral chegou a Lisboa a 31 de julho de 1501, sendo aclamado como herói, não obstante o facto de, das treze embarcações, terem regressado apenas quatro. Convidado pelo soberano para comandar a nova expedição ao Oriente em 1502, Cabral desentendeu-se com o monarca acerca do comando da expedição: tendo recusado a missão, veio a ser substituído por Vasco da Gama. Em desgraça perante o soberano, não recebeu mais nenhuma missão oficial até ao fim da vida. Em 1503 desposou D. Isabel de Castro, sobrinha de Afonso de Albuquerque, deixando descendência. Em 1518 era cavaleiro do Conselho Real. Foi ainda senhor de Belmonte e alcaide-mor de Azurara.

O fim da vida

Faleceu esquecido e foi sepultado na Igreja da Graça da cidade de Santarém, segundo alguns em 1520, ou, segundo outros, em 1526. Cabral é lembrado pelos brasileiros como aquele que descobriu o Brasil, sendo homenageado anualmente, a 22 de abril. Foi-lhe erguido um monumento na cidade do Rio de Janeiro (obra de Rodolfo Bernardelli). A cidade de Belo Horizonte homenageou-o, dando-lhe o nome a uma das suas principais vias, a Avenida Álvares Cabral. Em Portugal, foi-lhe erguido um monumento em Lisboa, na avenida que recebeu o seu nome. Do mesmo modo, a sua terra natal homenageou-o com uma estátua, assim como a cidade onde está sepultado, Santarém.
WIKIPÉDIA

D. FRANCISCO DE ALMEIDA ( 1º Vice-rei da Índia)

Francisco de Almeida, Museu Nacional de Arte Antiga.

Nascimento

D. Francisco de Almeida (Lisboa, c. 1450 — Baía de Saldanha, 1 de março, 1510) foi um militar português e um explorador, homem de guerra e organizador notável, com vitórias e excelentes actos de administração. Primeiro vice-rei da Índia (1505-1509), nasceu em Lisboa por volta de 1450, filho dos primeiros condes de Abrantes, D. Lopo de Almeida e de sua mulher D. Beatriz da Silva. Foi criado na corte de D. Afonso V, onde se fez notar pelo seu espírito militar ao serviço dos reis católicos na conquista de Granada. Sabe-se que era homem da confiança de D. João II e que participou na Batalha de Toro, quando o rei português interferiu na sucessão de Castela. No Oriente

Pedro Álvares Cabral chegara a Calecute em 13 de setembro de 1500 como embaixador à frente de armada poderosa, para propor aliança ao rajá de Kalidoku; fundou a primeira feitoria portuguesa na India. Houve terríveis represálias, como o incêndio em 16 de Dezembro de 1500, «fúnebre aurora da história oriental». Houve assassinatos, morticínios e naufrágios, importantes apenas «a espada e a pimenta, armas de guerreiros e balança do mercador - a Cartago moderna e a voragem aberta do mar». A segunda armada de Vasco da Gama deixou Lisboa em Fevereiro de 1502. «A desforra seria um horror, prova da frieza sanguinária que dizem existir no temperamento quase africano do português. O domínio adquiria no começo o carácter duplo que jamais perdeu, no mar anarquia de roubos e na terra depredações sanguinárias. A pirataria e o saque...» A terceira esquadra partiu em Abril de 1503 com Afonso de Albuquerque e Duarte Pacheco Pereira, que voltou ao Reino com a esquadra de Lopo Soares de Albergaria em 1505, carregado de feridas mas leve de dinheiro e diamantes, por isso sendo preso. Mas demonstrara aos árabes que os portugueses eram mais do que piratas. Partida de Portugal

D. Lourenço de Almeida, seu filho, já lutava em Africa, em Tânger - com D. João de Menezes, capitão de Arzila, e D. Rodrigo de Monsanto, capitão de Tânger. Como Tristão da Cunha estava doente e cego, o rei mandou chamar D. Francisco de Almeida a Coimbra, onde estava com seu irmão (tio?, segundo o Ano Historico) D. Jorge, Bispo de Coimbra, filho de D. Lopo de Almeida, primeiro conde de Abrantes. Assim, D. Francisco foi enviado para a Índia por D. Manuel I na qualidade de vice-rei, com todos os poderes para que pudesse impor o domínio português no Oceano Índico. Com ele partiram 1.500 soldados em 25 de março de 1505 levados em 16 naus e 6 caravelas - tinha como capitães D. Francisco, D. Fernando de Sá, Fernão Soares, Rui Freire, Vasco d'Abreu, João da Nova, Pero d'Anhaia, Sebastião de Sousa, Diogo Correia, Pero Ferreira Fogaça, Antão Gonçalves, Lopo Sanchez, Filipe Rodrigues, Lopo de Deus, João Ferrão, Antão Gonçalves, Fernão Bermudez. Das caravelas eram capitães Gonçalo Vaz de Goes, Gonçalo de Paiva, Lucas da Fonseca, Lopo Chanoca, João Homem e Antão Vaz. D Lourenço de Almeida e o pai aceitaram as muitas mercês sem fazer dúvidas por ter o Rei dado primeiro a Tristão da Cunha. No Regimento, o primeiro que se dava, constava: que fizesse no caminho fortaleza em Çofala, fazendo amizade com o xeque local; que partisse de Quiloa fazer outra, tratando o rei como amigo - inimigo, só se resistisse. Partisse para Cochim; que fizesse sempre crua guerra ao Rei de Calecut, mas que aos de Cochim e de Cananor favorecesse. D Francisco partiu de Belém em 25 de março de 1505 para o porto de Dale, na costa da Guiné; chegou a Quiloa em 23 de julho, véspera do dia do Apóstolo Santiago; coroou Mohamed Anconij Rei de Quiloa «em cadafalso emparamentado de panos de ouro e de seda, pondo-lhe coroa de ouro na cabeça» e fê-lo jurar de ser leal aos Reis de Portugal e ser seu vassalo, e o coroou e lhe entregou o Reino, do que mandou fazer instrumentos púbicos em língua arábica e portuguesa. Seguiu como política conquistar praças e erguer fortalezas que assegurassem a presença e o domínio portugueses. Assim, tomou Quíloa e incendiou Mombaça, na costa oriental de África; na Índia, construiu fortalezas em Cananor e Cochim. Num ataque dos mouros em Chaul (1508) é morto seu filho D. Lourenço de Almeida, do que se vinga com a vitória naval da Batalha de Diu sobre o sultão do Egipto Mir Hocem em 1509. Diz o cronista: «Partiu de Quiloa na véspera do bem aventurado São Lourenço, em 9 de agosto, para Mombaça, que já se havia armado com muita artilharia assentada no muro e 4 mil soldados. Na véspera da Assunção de Nossa Senhora, mandou incendiar a cidade, e entraram nela recebendo grande dano de pedras, zagunchos e lanças d'arremesso. Saqueou-a e ardeu toda. Não pode ir ver o Rei de Melinde por força do vento, e partiu em 27 de agosto. O de Onor e o alcaide d Cintacora mandaram pedir paz e a concedeu, mas o d Onor a quebrou e foi desbaratado. Depois chegou a Cananor e se chamou Vice-Rei. Mandou o filho à ilha de Maldiva, a 50 léguas de Cochim, e percorreu a costa do Malabar, onde desbaratou armada do Rei de Calecut e desfez a fortaleza Danchediva.» D. Lourenço de Almeida seu filho, porém, morreu no rio de Chaul com mais de 80 portugueses. Sua morte foi heróica: ferido, sentado numa cadeira e amarrado ao mastro, comandou seus homens até que uma segunda bombarda lhe roubasse a vida. Depois que morreu seu filho D. Lourenço de Almeida em Chaul, o carácter de seu pai mudou para vingativo e cruel; entregou com relutância o governo a Afonso de Albuquerque. Na saborosa língua dos cronistas, «pelas naus de Jorge d'Aguiar, em 1508, D Francisco recebeu cartas de el-rei mandando entregar a governança da India a Afonso de Albuquerque. Partiu de Cananor para Diu em 12 de dezembro, em busca d Mirhocem, capitão do sultão ou soldão de Babilônia, com 19 velas: pelejou contra ele e contra a armada de Calecut e de Miliquias, senhor de Dio ou Diu, e os venceu e desbaratou. Acertou pazes com Miliquias e partiu para Cochim.»
Morte em luta

Graças ao seu valor como homem do mar e governante esclarecido e incorruptível, o domínio português no Oriente torna-se completo. Quando, após ser substituído no cargo de vice-rei da Índia por Afonso de Albuquerque, regressou a Portugal em 1510, morrendo numa escaramuça com indígenas perto do Cabo da Boa Esperança. Contam as crónicas que «depois de entregar o governo, partiu de Cochim para Cananor em 19 de novembro de 1509; velejou no primeiro dia de dezembro e foi ter à aguada de Saldanha junto do Cabo da Boa Esperança, onde o mataram os negros naturais da terra, que chamam Cafres. Tendo tirado o barbote, lhe deram com um zaguncho de ferro na garganta que lha atravessou de parte a parte - de dor, caiu de joelhos no chão com as mãos na haste para a arrancar, mas sentindo que se afogava, as levantou para o céu e sem poder dar outro sinal de católico cristão caiu morto, junto do qual mataram os cafres Diogo Pires, que fora aio de seu filho. No seu túmulo, em Abrantes, está escrito: «Aqui jaz D. Francisco de Almeida, primeiro Vice-rei da Índia, que nunca mentiu nem fugiu.» Antônio Barbosa Bacelar (autor morto em Lisboa em 1663), escreveu sua vida no estilo de Virgílio. Toda a nobreza o pranteou, pois sendo ainda mancebo se distinguira nas guerras do Rei de Granada, quando o rei D. Fernando de Aragão e a Rainha D. Isabel de Castela venceram os mouros. «Tanto assim que D Fernando, ao saber de sua morte, foi muito anojado, retraendo-se como se fora pessoa de seu sangue real. Foi além de bom cavaleiro, mui prudente e sagaz, bem assombrado e grave em sua prática acerca das coisas da India e foi de opinião que quanto mais fortalezas o rei tivesse, mais fraco seria, a força com que se havia de senhorear a India era no mar. D. Francisco foi escolhido para governar a India como Vice-Rei porque era valente soldado, hábil almirante, sobretudo estadista. Político lucido, perspicaz e forte, foi sábio administrador, feitor inteligente, em 14 de agosto de 1505 foi ajustar contas antigas com o sultão de Mombas e lhe arrasou a cidade. Mas fez construir fortalezas em Quilua, Kananor, Andjediva, e aumentar a de Katschi.» Apreciação

Escreveu ao rei D. Manuel uma carta que é dos documentos mais importantes da história portuguesa: "Toda nossa força seja no mar, desistamos de nos apropriar da terra. As tradições antigas de conquista, o império sobre Reis tão distantes não convem. Destruamos estas gentes novas (árabes, afgãs, etíopes, turcomanos) e assentemos as velhas e naturais desta terra e costa: depois iremos mais longe. Se o que queremos são os produtos da Índia, o nosso império marítimo assegurará o monopólio português contra o turco e o veneziano. Imponhamos pesados tributos, exageremos o preço das licenças (cartazes) para as naus dos mouros navegarem nos mares da Índia e isso as expulsará. Que tenhamos fortalezas ao longo da costa mas apenas para proteger as feitorias porq a verdaddeira segurança delas estará na amizade dos rajás indígenas por nós colocados nos seus tronos, por nossas armadas defendidos. Substituamo-nos ao turco e abandonemos a idéia de conquista para não padecermos das moléstias de Alexandre.» E mais, segundo Cassiano Neves: «Torno a lembrar a Vossa Alteza que nunca sereis bem servido enquanto vossos oficiais de justiça e Fazenda forem tratantes mercadores.» As guerras eram agora contra venezianos e turcos, com esquadra poderosa no mar Vermelho, com pólvora - cruel temeridade. Quando D.Lourenço de Almeida seu filho morreu em Chaul (Tschala), fora batido pela esquadra egípcia, a armada do Morocem, capitão-mor do sultão ou Soldão do Grã Cairo e da Babilônia, como se dizia no tempo. Tal esquadra descera do Mar Vermelho, deitando âncora em Diu, na costa do Guzarate. D. Francisco subia ao longo da costa deixando atrás de si rasto de cinzas e sangue. Batalha indescritível entre os pavilhões da cruz e do crescente, disputando com furor o saque da India, naus vomitando fogo, artilharia de águias, sacres e falcões, pedreiras que arrojavam balas de granito, berços, camelos, colubrinas e esperas, mosqueteiros despejando surriadas de balas. Cena de carnagem que o almirante vice-rei assistiu do chapitéu de sua nau e, percebendo que lhe faltava o filho, «se foi assentar na tolda com um lenço na mão, que não podia estancar as lágrimas que lhe corriam.» Ao passar diante de Kananor, saltou à terra para celebrar vitória mas para acabar de vingar a morte do filho, mandou amarrar os prisioneiros às bocas das bombardas e os crânios e os membros despedaçados dos infelizes iam cair na cidade como pelouros. O «Ano Histórico» descreve a batalha para vingar a morte do filho na barra de Diu, onde se achavam 200 velas de Mir Hocém, geneneral do sultão do Cairo, de Melique e do Çamori - uns pelejavam corpo a corpo a botes de lança, a golpes de espada; outros ao longe com armas de arremesso. O zonido das balas atroava os ouvidos e elas despedaçavam os corpos. Muitos, arrojando-se ou sendo arrojados ao mar, lutavam ao mesmo tempo com as ondas e com a morte. A água se via convertida em sangue, o ar em fogo. Tudo confusão medonha, tudo horror, tudo assombro, tudo estrago: durou o conflito das 11 horas da manhã até as duas da noite. Dos nossos morreram pouco mais de 30, dos mouros mais de 1.500. Chegavam à corte noticias pérfidas de seus excessos, e o esperava a masmorra de Duarte Pacheco: porém na viagem de volta ao reino deu à costa da Cafraria e foi morto pelos negros às pedradas e zagunchadas. Seu plano de governação, por ser sabio era quimérico: pois que a Índia era uma loucura. Outro motivo: uma das suas justas exigências era a proibição do comércio aos soldados, magistrados e capitães. O domínio não era saque: era protecção armada a um comércio franco por um lado, monopólio de Estado ou apanágio da Coroa por outro. Mas, fleumático e pontual, D. Francisco mandava relatorios comerciais como um correspondente a seu patrão em Génova ou Veneza. Cuidadoso e até habil mercador, dava ao Rei minuciosas informações dos gêneros, preços e pesos. Mas Albuquerque, em Ormuz ou Hormuz, Goa e Malaca, assentou em terra firme os limites do Império que para D. Francisco devia vogar flutuante sobre as ondas... Os governadores seguintes seriam Albuquerque, em 1509; Lopo Soares de Albergaria, em 1515; Diogo Lopes de Sequeira em 1518; D. Duarte de Menezes em 1521; o segundo vice-rei Vasco da Gama em 1524; D. Henrique de Menezes em 1524; Lopo Vaz de Sampaio, em 1526; Nuno da Cunha em 1529; o terceiro vice-rei D. Garcia de Noronha em 1539 (em cujo verbete há curiosa observação sobre os ALMEIDAS); D Estêvão da Gama, em 1540; Martim Afonso de Sousa, em 1542; o quarto vice-rei seria D. João de Castro, em 1545, e outros mais. Casamento e descendência

Casou com dona Joana Pereira, filha de Vasco Martins Moniz, comendador de Panóias e Garvão na Ordem de Santiago. * 1 - D. Lourenço de Almeida, citado acima. * 2 - D. Leonor de Almeida, casada com Francisco de Mendonça (filho de Pedro de Mendonça, alcaide-mor de Mourão) e por segunda vez com D. Rodrigo de Melo, conde de Tentugal e primeiro Marquês de Ferreira. * 3 - D. Susana de Almeida, casada com Diogo de Barbuda, alcaide-mor de Seia.
wikipédia

AFONSO DE ALBUQUERQUE

Retrato de Afonso de Albuquerque no Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa

Nascimento

D. Afonso de Albuquerque (Alhandra, 1462 — Goa, 16 de Dezembro de 1515) foi um militar e político português, uma das principais figuras da expansão portuguesa no Oriente e da afirmação de Portugal como grande potência asiática enquanto governador da Índia Portuguesa. Ficou conhecido como O Grande, César do Oriente, Leão dos Mares, o Terribil e o Marte Português. Segundo filho de Gonçalo de Albuquerque, senhor de Vila Verde dos Francos, e de D. Leonor de Meneses, filha de D. Álvaro Gonçalves de Ataíde, conde de Atouguia, foi educado na corte de D. Afonso V. Partiu na esquadra mandada em 1480 em socorro do rei D. Fernando III de Nápoles, «para reprimir o furor dos turcos». Esteve na expedição de 1489 para defender a fortaleza da Graciosa, situada na ilha que o rio Luco forma junto da cidade de Larache. Foi estribeiro-mor do rei D. João II, a quem em 1476 acompanhou nas guerras com Castela. Esteve assim nas praças-fortes de Arzila e Larache (Marrocos) em 1489, e em 1490 fez parte da guarda de D. João II, tendo voltado novamente a Arzila em 1495.

Viagem para a Índia Em 6 de Abril de 1503 partiu para a Índia com o primo Francisco de Albuquerque, comandando cada qual três naus, tendo participado em várias batalhas, erguido a fortaleza em Cochim e estabelecido relações comerciais com Coulão. De regresso ao reino de Portugal, «mais cheio de glórias que de despojos», foi bem acolhido por D. Manuel. O rei voltou a enviá-lo em 1506 ao Oriente, em companhia de Tristão da Cunha, nomeando-o governador da Índia na sucessão do vice-rei D. Francisco de Almeida. Neste posto, conquistou vários portos em Omã acabando por chegar à riquíssima cidade de Ormuz, que se tornou tributária de Portugal. Em 1510 tomou Goa ao turco Hidalcão e em 1511 conquistou Malaca, abrindo aos portugueses o acesso às especiarias das ilhas Molucas e ao comércio com a China. Em Fevereiro de 1513 Albuquerque partiu para o estreito de Bab-el-Mandebe, tentando tomar Áden, sem êxito. Com a construção da fortaleza de Ormuz em 1515, concluiu o seu plano de domínio dos pontos estratégicos que permitiam o controlo marítimo e o monopólio comercial da Índia. Em 1514 na Índia dedicou-se à administração e diplomacia, a concluir a paz com Calecute, a receber embaixadas de reis indianos e a consolidar e embelezar Goa, onde, por meio do casamento de portugueses com mulheres indígenas procurou criar uma raça luso-indiana. O seu prestígio chegara ao auge, criando as bases do Império Português no Oriente e sendo «Chamado o Grande pelas heroicas façanhas com que encheu de admiração a Europa e de pasmo e terror a Ásia»[1]. Jaz em local desconhecido, talvez em Goa, na Índia. Segundo uma versão «foi amortalhado com o manto da Ordem militar de Santiago, de que era comendador, sepultado na igreja de Nossa Senhora da Serra em Goa, que edificara em agradecimento do feliz sucesso da conquista de Malaca. Passados 51 anos, foi trasladado, como dispusera seu testamento, ao convento de Nossa Senhora da Graça dos Religiosos Eremitas de Santo Agostinho da corte, para onde foi conduzido em 19 de Maio de 1566 com pompa»[2]. Descendência * Afonso de Albuquerque, nascido na mesma quinta do Paraíso na vila de Alhandra, em 1500. Batizado Braz, mudou o nome para Afonso «por insinuação do rei D. Manuel, querendo este Príncipe igualmente eternizar na sua pessoa a memória de seu ilustre progenitor». Capitão de um navio da Armada que conduziu a Infanta D. Beatriz quando foi casar com o duque de Sabóia. Casou com uma das damas mais ilustres da Corte, D. Maria de Noronha, filha de D. António de Noronha, 1.º conde de Linhares, Escrivão da Puridade do rei D. Manuel de Portugal, e de D. Joana da Silva, filha de D. Diogo da Silva, 1º conde de Portalegre. Vedor da Fazenda do rei D. João III de Portugal. Em 1569 presidente do Senado de Lisboa, quando por seus esforços combateu a peste. Morreu em Lisboa em 1580 e foi sepultado na paroquial igreja de São Simão, na vila de Azeitão. Deixou uma filha única, D. Joana de Albuquerque, esposa de D. Fernando de Castro.

wikipédia

1 - MOSTEIRO DOS JERÒNIMOS



clique na imagem

2 - MOSTEIRO DOS JERÓNIMOS


O Mosteiro dos Jerónimos é um mosteiro manuelino, testemunho monumental da riqueza dos Descobrimentos portugueses. Situa-se em Belém, Lisboa, à entrada do Rio Tejo. Constitui o ponto mais alto da arquitectura manuelina e o mais notável conjunto monástico do século XVI em Portugal e uma das principais igrejas-salão da Europa.

Destacam-se o seu claustro, completo em 1544, e a porta sul, de complexo desenho geométrico, virada para o rio Tejo. Os elementos decorativos são repletos de símbolos da arte da navegação e de esculturas de plantas e animais exóticos. O monumento é considerado património mundial pela UNESCO, e em 7 de Julho de 2007 foi eleito como uma das sete maravilhas de Portugal.

História

Nave, Mosteiro dos Jerónimos
Arcada do claustro, Mosteiro de Santa Maria de Belém

Encomendado pelo rei D. Manuel I, pouco depois de Vasco da Gama ter regressado da sua viagem à Índia, foi financiado em grande parte pelos lucros do comércio de especiarias. Escolhido o local, junto ao rio em Santa Maria de Belém, em 1502 é iniciada a obra com vários arquitectos e construtores, entre eles Diogo Boitaca (plano inicial e parte da execução) e João de Castilho (abóbadas das naves e do transepto – esta com uma rede de nervuras em forma de estrela –, pilares, porta sul, sacristia e fachada) que substitui o primeiro em 1516/17. No reinado de D. João III foi acrescentado o coro alto.

Deriva o nome de ter sido entregue à Ordem de São Jerónimo, nele estabelecida até 1834. Sobreviveu ao sismo de 1755 mas foi danificado pelas tropas invasoras francesas enviadas por Napoleão Bonaparte no início do século XIX.

Inclui, entre outros, os túmulos dos reis D. Manuel I e sua mulher, D. Maria, D. João III e sua mulher D. Catarina, D. Sebastião e D. Henrique e ainda os de Vasco da Gama, de Luís Vaz de Camões, de Alexandre Herculano e de Fernando Pessoa.

Após 1834, com a expulsão das Ordens Religiosas, o templo dos Jerónimos foi destinado a Igreja Paroquial da Freguesia de Santa Maria de Belém.

Numa extensão construída em 1850 está localizado o Museu Nacional de Arqueologia. O Museu da Marinha situa-se na ala oeste.

Integrou, em 1983, a XVII Exposição Europeia de Arte Ciência e Cultura.

3 - MOSTEIRO DOS JERÓNIMOS



Foi com muita dificuldade que se conseguiu converter para vídeo este excelente trabalho,parabens ao autor. Para ler bem o texto clique na pausa sempre que necessário.