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Para onde foram
os baloiços
Quem vive com a infância dentro de portas e tem de cumprir a rota dos
parques infantis públicos, sabe bem a felicidade que se abre nos rostos
pequeninos quando avistam um baloiço vazio. É garantida a desenfreada
correria para tomar o lugar vago. Coisa rara e preciosa. O baloiço -
esse equipamento que se tornou maldito e tem vindo a desaparecer da via
pública - está entre os aparelhos mais amados pelas crianças.
Qualquer
frequentador habitual de um parque infantil constata que este brinquedo -
seja qual for a sua forma - tem sempre fila de espera. Hoje
reconhece-se o baloiço como uma poderosa ferramenta para estimular o
sistema vestibular e, assim, regular as emoções das crianças, reduzindo a
ansiedade e a agitação. No entanto, é uma espécie em extinção nos
parques infantis do nosso país. Sobram escorregas, estruturas de
escalada e brinquedos que se agitam de um lado para o outro com limitado
enfado. Nada de baloiços.
Cada vez mais, os parques infantis parecem
desenhados para serem produtos de apelo estético, sonhado por um adulto
embevecido pela sua originalidade, e sem real funcionalidade para quem
os usa. Entre amálgama de ferros ao alto, com cordas e borrachas que
disparam da estrutura, sobram olhares de hesitação que tropeçam na
dúvida: como é que vamos usar isto? E, tal como em muitas outras
situações, a roda já está inventada e não precisa de ser redescoberta.
Basta percorrer a costa da Galiza para perceber que, para os galegos, o
espaço público não se faz apenas de passadiços. Constrói-se com áreas de
desporto informal e parques infantis, com baloiços de formatos diversos
- incluindo para bebés, adulto-bebé e crianças com limitações motoras e
cognitivas -, trampolins e pequenos slides. E já agora, convém que os
parques sejam, de facto, espaços de proximidade, que bisem pelo
território urbano, e não seja preciso entrar num automóvel e percorrer
vários quilómetros para encontrá-los.
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* Jornalista. Editora-executiva-adjunta do JN
IN "JORNAL DE NOTÍCIAS" - 28/04/26.

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