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𝕄𝔼𝔻𝕆
𝔸 𝕒𝕣𝕞𝕒 𝕤𝕖𝕔𝕣𝕖𝕥𝕒 𝕕𝕠 𝕕𝕠𝕞í𝕟𝕚𝕠 𝕘𝕝𝕠𝕓𝕒𝕝
Luiz Gonzaga Belluzzo
Jurista/Economista
Prof. Universitário
*A história oficial costuma pintar a ascensão dos Estados Unidos no pós-Segunda Guerra como um triunfo moral e benevolente, simbolizado pelo Plano Marshall e pela criação da ONU.
Contudo, uma análise rigorosa da economia política revela que a construção da hegemonia americana não foi um ato de caridade global, mas uma estratégia friamente calculada de sobrevivência econômica e dominação geopolítica. O "isolacionismo" americano após a Primeira Guerra não foi omissão, mas uma tática deliberada para "tirar o tapete" da Inglaterra, asfixiando a antiga potência hegemônica para ocupar seu lugar.
Quando olhamos para o Plano Marshall sob a ótica do interesse nacional, o mito da bondade se desfaz. Os EUA saíram da guerra com um parque industrial gigantesco e o medo real de uma nova Grande Depressão caso não houvesse para quem vender. Reconstruir a Europa não foi um favor, foi um "seguro contra a recessão": os dólares enviados voltavam como demanda para a indústria americana.
O projeto rooseveltiano era imperial, sim, mas possuía a inteligência de organizar o mundo para servir aos interesses de Washington, evitando o caos que destruiria seus mercados.
Além disso, o vídeo aborda um ponto crucial muitas vezes esquecido: o papel da União Soviética. Foi o medo do comunismo que obrigou os EUA a tolerarem — e até financiarem — o desenvolvimento nacional, o Estado de Bem-Estar Social na Europa e a industrialização do Japão.
O chamado "desenvolvimento a convite" foi uma concessão geopolítica, não econômica. Eles permitiram que outros países protegessem suas economias e crescessem para servirem de barreira à influência soviética. Entender esse período é essencial para compreender por que, hoje, sem a ameaça soviética e com a hegemonia consolidada, os EUA já não toleram o desenvolvimento autônomo de outras nações.
Hoje, a máscara da benevolência caiu completamente. Quando vemos movimentos para tomar o controle do petróleo venezuelano, a pirataria moderna contra navios russos ou a tentativa de compra de territórios inteiros como a Groenlândia, fica claro: sem o contrapeso soviético, a hegemonia americana retornou ao seu estado puro de conquista e pilhagem. Não há mais 'convite' para o desenvolvimento, apenas ultimatos.
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